quarta-feira, junho 30, 2010

Fins de 1968

Dois alferes pilotos do mesmo curso, o Lamy e o Lopes, do AB.3 Negage, descolam para um voo de rotina num Do27.
O cacimbo estava cerrado e ao regressar à base enfiam-se a voar por um morro, tendo ambos falecido no impacto.
Seria este simplesmente mais um triste caso de indisciplina de voo a ceifar a vida de dois jovens, não fosse um revoltante desenvolvimento:
à noite ouvimos, na camarata da BA.7 Aveiro, a inconfundível voz do traidor Manuel Alegre, através da "Rádio Portugal Livre", emitida da Argélia, regozijar-se por mais esta "vitória dos combatentes da liberdade de Angola" (isto apesar do inimigo não ter tido qualquer actuação neste acidente).
A pergunta é simples:
Será que algum Alemão que tivesse colaborado com os Ingleses ou um Francês que tivesse colaborado com os Alemães ou um Japonês que tivesse colaborado com os Americanos teria algum futuro político no seu país no pós-guerra?
Quando é que vamos parar de aceitar que traidores, refráctarios e desertores dominem a política em Portugal ?
(In Heróis do Mar)

12 comentários:

César disse...

últimamente tenho lido algumas coisa sobre Manuel Alegre,que me tem deixado com a pulga atrás da orelha.Vou ter de repensar o meu sentido de voto.

Ademar César Faria disse...

O Adenauer colaborou com os americanos e foi chanceler alemão. Os partisanos colaboraram com os americanos na deposição de Musolini e o partido que criaram, a Democracia Cirstã, governou a Itália até à Operação Mãos Limpas. Quando as pessoas combateram regimes de merda como o salazarismo, o povo a sério sabe agradecer-lhes. Só os fachos filhos da puta como tu se insurjem contra quem se opunha à censura, à PIDE, às eleições falseadas, e defendia o justo direito de os africanos não serem dominados por lacraus do teu jaez na sua própria terra.

Anónimo disse...

Aqui para o 2º comentador, para que não continue a dizer disparates, aconselho a leitura deste pequeno blogue:

http://kuribeka.com.sapo.pt/manuelalegre.htm

A ignorância só é ignorância se quisermos ignorar a verdade! E nessa altura já não é ignorância, passa a ser burrice, pura e dura!

Retornado disse...

O Manel de Argel anda lançando a ideia que as pessoas o acusam de desertor.

Mas para quem não sabe ele não foi desertor, porque esteve na tropa em Angola.

Ele foi sim, traidor, porque pegou em armas (a palavra é uma arma), contra os milhares que estavamos em guerra nas ex-colónias.

Essa arma usou-a na rádio Argel ao lado de quem lutava contra nós.

Não podemos misturar este comportamento com aqueles que simplesmente emigraram clandestinamente para a França, mas não lutaram contra nós.

É bom que se exiba como candidato, para o povo português de gerações mais recentes compreenderem melhor quem somos muitos de nós.

Aquela guerra não era de Salazar nem da PIDE, era de Portugal.

Camilo disse...

Para um tal "Ademar Cesar Faria", se é que existe...
A sua "democracia",
a sua tão propalada liberdade...
está assente nos pilares dos maiores vigaristas, desertores, refractários, parasitas, chulos e assassinos da história.
Por azar o seu e dos seus apaniguados:
Os portugueses -os verdadeiros- sabem-no!!!
camilo

Ademar César Faria disse...

É desde logo engraçado que eu tenha referido pessoas e movimentos, dados históricos que infirmam o que está no post («Será que algum Alemão que tivesse colaborado com os Ingleses ou um Francês que tivesse colaborado com os Alemães ou um Japonês que tivesse colaborado com os Americanos teria algum futuro político no seu país no pós-guerra?»), e ninguém tenha tido uma só palavra a este respeito. No que ao mais concerne:

1) se Alegre se pôs ao lado dos independentistas contra «nós», fez ele muito bem. «Nós» não tínhamos razão para manter aquela guerra, para subjugar os outros, para mandar no que nunca nos pertenceu. Não é por ser Portugal quem peleja que o combate passa a estar correcto. Se o pai de um de vós violasse uma criança não iam tentar legitimar-lhe a acção por isso, alegando que estava correcto por ser vosso pai. Quem fala do pai fala do país, pelo mesmo processo;

2) Se é assim, o que Alegre fez contra os salazarentos enquanto residia em Argel é pura e simplesmente luta pela liberdade. Reitere-se: não é porque se luta contra Portugal que se está errado. O nosso país, quando incorre em erro, deve ser punido por isso, e incumbe aos seus cidadãos, desde logo, procurarem impedir esses erros. É preciso que nos norteemos por princípios e não por fidelidades clânicas típicas de bichos da selva;

3) Ao Camilo, informo-o de que existo efectivamente. Informo-o, se lhe interessa saber, que nasci em Malnage corria 1977, lá cresci, obtive uma bolsa da República Popular de Angola para estudar Medicina em Cuba, e hoje dou aulas em Portugal. Tenho papéis que me chamam português, como meu pai e minha mãe, mas o meu povo é o angolano. E sei que a Liberdade que obtiveram, matando portugueses que teimavam em não lha dar por mesquinhez de interesses económicos e bazófia imperialista, era a mais elementar das justiças. Essa, e a Democracia que em Portugal se obteve com o 25 de Abril - e que se redundou nos tais canalhas que dizes, devemos purgá-la deles, e não deitá-la fora para reinstituir o regime sabujo que matava quem simplesmente queria senhor do que era seu.

Ademar César Faria disse...

É desde logo engraçado que eu tenha referido pessoas e movimentos, dados históricos que infirmam o que está no post («Será que algum Alemão que tivesse colaborado com os Ingleses ou um Francês que tivesse colaborado com os Alemães ou um Japonês que tivesse colaborado com os Americanos teria algum futuro político no seu país no pós-guerra?»), e ninguém tenha tido uma só palavra a este respeito. No que ao mais concerne:

1) se Alegre se pôs ao lado dos independentistas contra «nós», fez ele muito bem. «Nós» não tínhamos razão para manter aquela guerra, para subjugar os outros, para mandar no que nunca nos pertenceu. Não é por ser Portugal quem peleja que o combate passa a estar correcto. Se o pai de um de vós violasse uma criança não iam tentar legitimar-lhe a acção por isso, alegando que estava correcto por ser vosso pai. Quem fala do pai fala do país, pelo mesmo processo;

2) Se é assim, o que Alegre fez contra os salazarentos enquanto residia em Argel é pura e simplesmente luta pela liberdade. Reitere-se: não é porque se luta contra Portugal que se está errado. O nosso país, quando incorre em erro, deve ser punido por isso, e incumbe aos seus cidadãos, desde logo, procurarem impedir esses erros. É preciso que nos norteemos por princípios e não por fidelidades clânicas típicas de bichos da selva;

3) Ao Camilo, informo-o de que existo efectivamente. Informo-o, se lhe interessa saber, que nasci em Malnage corria 1977, lá cresci, obtive uma bolsa da República Popular de Angola para estudar Medicina em Cuba, e hoje dou aulas em Portugal. Tenho papéis que me chamam português, como meu pai e minha mãe, mas o meu povo é o angolano. E sei que a Liberdade que obtiveram, matando portugueses que teimavam em não lha dar por mesquinhez de interesses económicos e bazófia imperialista, era a mais elementar das justiças. Essa, e a Democracia que em Portugal se obteve com o 25 de Abril - e que se redundou nos tais canalhas que dizes, devemos purgá-la deles, e não deitá-la fora para reinstituir o regime sabujo que matava quem simplesmente queria senhor do que era seu.

Camilo disse...

Tal como um Homem é um Homem
e um bicho é um bicho...
Para mim,
Um TRAIDOR É SEMPRE UM TRAIDOR!!!
Por mais que queiram branquear a situação.
Por acaso, e para que saiba, foi em Cacuso (1977)... e por um malanjino Amigo,numa almoçarada, que ouvi a 1ª expressão.
O mundo é pequeno, né?!!!

Anónimo disse...

Ao Ademar César Faria,
Nascido em 1977... está tudo dito!
Já nasceste no tempo da lavagem ao cérebro, não sabes nada do que estava para trás e, muito menos, do que estava por detrás da merda que foi feita 3 anos antes de nasceres!...

A propósito, olha só para as fotos actuais das grandes liberdades conquistadas pelos grandes libertadores do teu povo à custa de milhares de vidas inocentes:

http://samuel-cantigueiro.blogspot.com/2010/07/luanda-cara-carissima-luanda.html

Tenta ver para além da lavagem ao cérebro de que foste vítima. Se conseguires...

Retornado disse...

Para Ademar César Faria,

Acho bem que a geração pós independência participe nestas discussões para vir um dia a ter ideia do que foi os treze anos de guerra "contra o colonialismo", porque a lavagem que sofreram foi tão profunda, que ainda hoje, depois de Angola sofrer a guerra mais selvagem de trinta e tal anos, feita em África, ainda pensam que o povo Angolano está independente.

Quando nós próprios, portugueses, estamos numa altura, em que os inteligemtes Abrilistas tipo Manuel de Argel, encaminharam o país para esta "dependência" triste a que assistimos hoje.

As independências lá viriam um dia e com harmonia, e não sermos substituidos por russos, cubanos, americanos e quem viesse.

Camilo disse...

Caro "Retornado"...
O Cesar nasceu quando se deu o "Fraccionismo"... que matou em Angola muitos milhares (eu disse MUITOS MILHARES) de angolanos.
Graças ao M.P.L.A. Angola ficou cheia de viúvas e órfãos.
Não havia família que não tivesse um morto, um preso, um desaparecido pela DISA.
Aliaás, nas 1ªs "eleições"... 1992, eu fartei-me de dizer isto.
Uma semana depois, para não ser morto eu e a família, fomos evacuados pela Cruz Vermelha para Brazaville.
O Cesar sabe pouco da história.
Mas... ainda vai a tempo...!
Cumprimentos.

César disse...

Caro Camilo,
realmente sei pouco disso,quem me podia esclarecer não gosta de falar no assunto-meu Pai.
Esteve lá 3 anos a partir de 1968.
O que sei,foi o que fui lendo ao longo dos anos,e sabendo através de quem lá esteve e consegue falar sobre o mesmo.