domingo, julho 08, 2007

TERROR na Universidade do Minho!

de: Aluna Finalista do Curso de Direito da Universidade do Minho
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Venho dar-lhe a conhecer, a si e aos visitantes do seu blogue, uma situação que ocorre no Curso de Direito da Universidade do Minho e que, recentemente, foi finalmente notícia, pelas piores razões: um aluno esfaqueou o Presidente da Escola.
Qualquer pessoa que tomasse contacto com a notícia, apenas com a notícia, veria nascer em si um sentimento de revolta pelo estado da sociedade.
Segundo a comunicação social, um aluno do 4º ano do Curso de Direito da Universidade do Minho, em Braga, entrou no gabinete do Presidente da Escola e, tirando uma faca de cozinha que trazia na pasta, feriu o docente no rosto, num braço e nas costas.
Felizmente, da agressão resultaram apenas ferimentos superficiais, não tendo sido atingido nenhum músculo ou órgão, apenas pele.
Segundo fontes da Escola, o aluno era gago e reivindicava um estatuto especial de portador de deficiência, para o colocar em igualdade no caso das provas orais (muito frequentes em direito). Simultaneamente, manifestava-se contra o tão falado plano de Bolonha, que o impedia de ser finalista este ano, ou seja, impedia-o de estar matriculado no 5º ano.
O aluno foi separado do docente por funcionários da Escola, detido e, depois de presente ao juiz, saiu em liberdade no dia seguinte, ficando sujeito a apresentações regulares na esquadra da sua cidade (Barcelos) e proibido de entrar em Braga, ou aproximar-se de funcionários e docentes da Universidade.
Face a tais factos (e contra factos não há argumentos), a sociedade portuguesa colocou-se imediatamente do lado do docente, atribuindo ao aluno adjectivos como "marginal", "doente", "assassino", "louco" e "violento".
Esta foi a história contada pela Comunicação Social e corroborada pela Direcção da Escola e, de certo modo, pela Associação de Estudantes de Direito da Universidade do Minho (AEDUM).
Sem dúvida, os factos descritos são verdadeiros e deles decorre um crime: agressão física.
Contudo, a Comunicação Social mostrou aos portugueses, apenas a ponta do icebergue.
Ou seja, por pressão directa ou não da Escola e dos juristas que nela leccionam, a Comunicação Social, ficou-se por aqui, quando há muito mais para contar.
É impossível contar aqui tudo, pelo que vou incluir um link para que possam tirar as vossas próprias conclusões.
Contudo, parece-me necessário fazer um breve resumo, para que se consigam orientar no link que incluo.
Há uns anos atrás, sensivelmente 7 anos, julgo eu, a Presidência da Escola e a Direcção de Curso mudou.
O digníssimo Professor Doutor Cândido de Oliveira abandonou o cargo, tão bem desempenhado, e regressou ao seu trabalho de docente.
Nessa mesma altura, "tomam conta" da Escola o par Prof. Doutor Luís Gonçalves e o Prof. Doutor Heinrich Horster.
E foi aí que tudo começou.
Um curso exigente, com bom nome na praça pública, e com entradas de 100% de sucesso na Ordem dos Advogados (o que queria dizer que a preparação era mais do que boa), transforma-se num autêntico pesadelo para a maioria dos alunos que o frequentam.
Desde professores que conseguem o magnífico feito de ter 300 alunos a frequentar disciplinas (por ano entram cerca de 100 alunos), reprovando com total arbitrariedade;
Aulas dadas por alunos que nem terminaram o curso, inclusive a disciplina que estão a dar; Concursos públicos para o lugar de docente cancelados por uns meses, porque havia um candidato com melhor média, e toca a subir a média ao "candidato da Escola";
Ausência total de critérios de correcção a inúmeras disciplinas, com docentes a dizer: "reprovei-o porque a resposta está bem mas não tem musicalidade";
Docentes que, tentando evitar o trabalho de dar orais (são obrigatórias para notas de 8 e 9 - numa escala de 0 a 20), simplesmente descem todos os 8 e 9 para 7, reprovando assim o aluno; Boicote constante à equivalência de cadeiras feitas ao abrigo do programa Erasmus, tentando constantemente ludibriar a lei;
Constantes humilhações dos alunos, quer em aulas, quer em orais, quer nos próprios gabinetes dos docentes, em que estes insultam, literalmente, a inteligência dos alunos;
Política do medo completamente enraizada - quem quer pedir revisão de prova, fica avisado que vai baixar para 2 ou 3 valores;
Alunos que são reprovados com 7 (nota mínima para oral é durante 4, 5, 6, 7 exames seguidos;
O Director do Curso deu-se ao luxo de, no ano passado, ignorar um pedido do Reitor, de abertura de uma época especial, tendo os alunos de Direito sido os únicos a não usufruir dessa época, em toda a universidade.
Enfim, as histórias são mais que muitas, mas relevo o facto de, há uns anos atrás, quando uma lista se quis candidatar à AEDUM, o Prof. Doutor Luís Gonçalves ter gentilmente avisado os alunos de que, quem votasse nessa lista, iria reprovar, porque era uma lista demasiado reivindicativa.
Ninguém pode dizer nada, ninguém pode questionar, ninguém pode pedir ajuda.
Até porque os docentes desta escola, enquanto juristas, estão extremamente bem relacionados, e as represálias, dentro e fora da universidade, não se fariam esperar.
Há inúmeros alunos há bem mais do que 5 anos na Escola, alguns a tentar há anos, fazer apenas 1 dessas malditas cadeiras com 300 inscritos.
Não conseguimos fazer nada porque toda a gente tem medo.
Os alunos e até mesmo alguns docentes que, embora lá leccionem, são contra o regime.
O Sérgio, foi, como todos nós, psicologicamente agredido nos últimos 4 anos.
Muitos de nós entramos em depressões constantes, desistimos do curso, mudamos de universidade, desistimos de estudar.
O Sérgio foi mais longe: cometeu uma loucura, um crime, num momento de desespero.
De acrescentar, que tem em tribunal um processo-crime por agressão contra o Prof. Doutor Horster, que foi arquivado por falta de provas, mas aquando dos últimos eventos, foi pedida a reabertura da instrução.
Claro que, inevitavelmente, o Sérgio, vai ser julgado pelo crime que cometeu, e cabe aos tribunais, na posse de todos os elementos, julga-lo.
Contudo, não podemos deixar que esta atitude violenta e impensada, que sem dúvida a vida do Sérgio, tenha sido em vão.
É nossa obrigação, enquanto alunos e colegas, fazer chegar à comunicação social e ao público em geral tudo quanto se passa na Escola de Direito, para que tal situação não se volte a repetir, e para que a Justiça possa reinar, finalmente, dentro da Escola.
O link que incluo é direccionado ao blog da ELSA (European Law Students Association) de Braga que, a propósito do assunto, foi bombardeado com comentários e testemunhos de estudantes de direito, que neste momento excedem os 150.
São testemunhos na primeira pessoa de tudo o que se passa dentro da Escola, e que pela primeira vez se está a tentar tornar público.
A leitura é longa, mas penso que é necessária para bem compreender tudo o que eu tentei explicar.
Podem inclusive ler os outros posts mais recentes, embora o link que incluo se refira ao mais comentado.
A todos os que passam pelo «BRONCAS DO CAMILO» peço ajuda, em nome de todos os colegas, para tentar passar esta mensagem, de modo a que a Comunicação Social se veja obrigada a noticiar "a outra metade da história".
Talvez assim, consigamos fazer o nosso "25 de Abri"!
Peço desculpa por não assinar com o meu nome, mas espero que, do que expliquei, compreendam as minhas razões.

1 comentário:

Zé Maria disse...

Caro Camilo, já por diversas vezes elogiei os seus posts. Não tantas como se calhar mereciam, mas não tenho muito tempo disponível para navegar. Este post está simplesmente assombroso (no bom sentido). É pena que não haja mais blogs como o teu (o meu incluído, que é apenas uma brinadeira... e aproveito para agradecer as tuas visitas). O teu blog é de grande nível e mais uma vez se confirma a qualidade do mesmo. Um grande abraço.